Feira Laica

A Laica morreu, viva a Morta

In Uncategorized on Julho 26, 2016 at 9:43 am

Sara Figueiredo Costa na Blimunda conta história da Feira Laica e da sucessora Morta…

Paulinho

In autores estrangeiros on Fevereiro 27, 2016 at 2:05 pm

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Uma elegia laica a Nevada Hill

In autores estrangeiros on Fevereiro 19, 2016 at 8:13 pm

Por Marcos Farrajota no blogzine da Chili Com Carne:

Adeus “Paulinho”! Morreu o único gringo bom deste planeta.

ilustração-homenagem de Bráulio Amado

Num princípio de um ano que já nos tem levado tantos Heróis acarinhados universalmente, o Lemmy e o Bowie, outros menos conhecidos como ainda na semana passada foi-se o jovem Alvin Buenaventura – que só dois sítios em linha portugueses anunciaram a sua morte, delimitando assim em que ponto de formação a BD portuguesa se encontra… Perco-me… acabei de saber pelo Bráulio Amado que o Nevada Hill deixou-nos para sempre.

Destes Heróis todos acima referidos, o Nevada é que era o Meu Herói, quase Super porque tinhas umas unhas compridas que deviam ter um super-poder, o da super-empatia certamente. Foi uma pessoa que sobreviveu à educação texana mas não o cancro que combateu nos últimos três anos.

Começamos por trocar zines e discos. Um dia ele lembrou-se de vir cá a Portugal! A Feira Laica foi a boa desculpa, onde ele tocou com vários músicos da cena portuguesa (Travassos, Nuno Moita, Gabriel Ferrandini, Ricardo Martins, Pedro Sousa, “Óscar” e Manuel Gião) em dois concertos, um deles memorável! Nevada tocava violino mas a dada altura, inesperadamente, começou a urrar como um misantropo do Black Metal. Ó ‘tugas betinhos… Improv anyone? Isto foi na Trem Azul onde também tinha uma bela exposição de cartazes em serigrafia que ele desenhava e imprimia. Também, pintou um mural na Bedeteca de Lisboa que ainda hoje sobrevive devido à decadência da própria instituição, menos mal…

Amigos dele antes de ele partir para Lisboa, perguntaram-lhe “vais para casa de um português que não conheces pessoalmente? E se o gajo for um serial-killer?” Risotas! Passamos a noite no Estádio a contar pelos dedos da mão quantos serial-killers existiram em Portugal… desde o século XIX… e um deles era galego… não conta!

Noutras conversas, disse-me que as escolas públicas nos EUA eram uma merda, que os professores eram mais janados que os alunos, que a única hipótese de ter boa educação é meter os putos em colégios privados onde dominam programas criacionistas e onde as aulas de História só ensinam a História do Texas – nem dos EUA quanto mais da Humanidade! Nevada aprendeu a ter um passado humano graças ao História do Universo, essa grandiosa BD de Larry Gonick. Foi lá que ele viu pela primeira vez que os humanos fodiam e procriavam ou que procriavam porque fodiam. Mesmo no baile do “prom” da escola, os casais ao dançar ao Slow de praxe, uma boa desculpa para se agarrarem e terem um período de sensualidade, ainda assim tinham de deixar espaço entre eles, o espaço de “um corpo” para Cristo estar entre vós – disse-lhe o Reitor. Era nos finais do século XX, pouco deve ter mudado…

Numa sociedade alienada como a americana, ele era das pessoas mais queridas e doces que tive o prazer de conhecer. Uma pessoa! Não um distribuidor de cartões de negócios como quase todos os outros gringos que conheci. Cá veio pra casa, perdeu-se numa ilha do Tejo – outra história incrível! – e na última noite em Lisboa, um bêbado vi-o e gritou-lhe: Paulinho! Estava mesmo a reconhecer-te! Ele não se desmanchou. Nem repudiou o velhote com copos a mais, tudo na boa!

Em tão pouco tempo que estivemos juntos, deu-me a conhecer o DJ Screw (que tanto inspirou Black Taiga) e os malucos dos irmãos Gonzalez que tanto giram pelo Jazz como pelo Grindcore.

Voltou alegre para Denton por ter conhecido a Lisboa e as suas gentes, tanto que quis representar a Chili Com Carne nas terras malditas do Novo Continente com o ciclo de exposições not Tex not Mex mas sobretudo o que ele queria era voltar cá um dia destes…

Good morning, Captain

Lisboa, 19 Fevereiro 2016

Marcos Farrajota