Feira Laica

Convidados estranjas prá próxima Morta

In Uncategorized on Abril 12, 2016 at 12:37 pm

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Vai haver uma Feira Morta nos dias 30 de Abril e 1 de Maio na ZDB.

A Laica está acabada mas ainda vai dando uma ajudinhas promiscuas à malta da Morta, por isso estamos a programar a vinda de autores / editores estrangeiros para este evento. Devem vir:

  • Simone Baumann, jovem suiça autora de BD e zines (a confirmar)
  • Ivana Armanini, editora da antologia croata Komikaze 

Komikaze irá apresentar diferentes projectos, a saber:

FemicomixWoman contemporary comic is always in Komikaze focus normally and now we decide to make it more visible. The future of the contemporary comic is in woman power and we want to show it! This project includes 17 female comic artists and is an attempt to underline the strength and potential of female author expression in the field of contemporary comic with a focus to present smaller selection of authors. Selection is made of 17 female authors from the Komikaze edited issues (print and web): Nina Bunjevac (1980) Canada; Amandine Meyer /France; Amanda Baeza / Portugal; Bojana Bogavac (1986) / Monte Negro; Ivana Pipal (1990) / Croatia; Petra Brnardić (1978), Croatia; Petra Balekić (1989) / Croatia; Ena Jurov (1988)/ Croatia; Dunja Janković (1981) / Croatia; Lina Rica (1981) / Croatia; Nele Broenner (1980) / Germany; Neja Tomšič / Slovenia; Petra Varl / Slovenia; Katie Woznicki (1984) USA/Serbia; Agneizska Piksa / Poland; Anna Ehrlemark (1981) Sweden; Ivana Armanini / Croatia.

BEĐOMATIK is a DIY workshop for original badges. Every visitor is invited to make – with the assistance of the Komikaze team – two badges: one “take-away” and one for the exhibition. All badges will be photographed and published on the Komikaze info portal in a form of a webzine.

Paulinho

In autores estrangeiros on Fevereiro 27, 2016 at 2:05 pm

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Uma elegia laica a Nevada Hill

In autores estrangeiros on Fevereiro 19, 2016 at 8:13 pm

Por Marcos Farrajota no blogzine da Chili Com Carne:

Adeus “Paulinho”! Morreu o único gringo bom deste planeta.

ilustração-homenagem de Bráulio Amado

Num princípio de um ano que já nos tem levado tantos Heróis acarinhados universalmente, o Lemmy e o Bowie, outros menos conhecidos como ainda na semana passada foi-se o jovem Alvin Buenaventura – que só dois sítios em linha portugueses anunciaram a sua morte, delimitando assim em que ponto de formação a BD portuguesa se encontra… Perco-me… acabei de saber pelo Bráulio Amado que o Nevada Hill deixou-nos para sempre.

Destes Heróis todos acima referidos, o Nevada é que era o Meu Herói, quase Super porque tinhas umas unhas compridas que deviam ter um super-poder, o da super-empatia certamente. Foi uma pessoa que sobreviveu à educação texana mas não o cancro que combateu nos últimos três anos.

Começamos por trocar zines e discos. Um dia ele lembrou-se de vir cá a Portugal! A Feira Laica foi a boa desculpa, onde ele tocou com vários músicos da cena portuguesa (Travassos, Nuno Moita, Gabriel Ferrandini, Ricardo Martins, Pedro Sousa, “Óscar” e Manuel Gião) em dois concertos, um deles memorável! Nevada tocava violino mas a dada altura, inesperadamente, começou a urrar como um misantropo do Black Metal. Ó ‘tugas betinhos… Improv anyone? Isto foi na Trem Azul onde também tinha uma bela exposição de cartazes em serigrafia que ele desenhava e imprimia. Também, pintou um mural na Bedeteca de Lisboa que ainda hoje sobrevive devido à decadência da própria instituição, menos mal…

Amigos dele antes de ele partir para Lisboa, perguntaram-lhe “vais para casa de um português que não conheces pessoalmente? E se o gajo for um serial-killer?” Risotas! Passamos a noite no Estádio a contar pelos dedos da mão quantos serial-killers existiram em Portugal… desde o século XIX… e um deles era galego… não conta!

Noutras conversas, disse-me que as escolas públicas nos EUA eram uma merda, que os professores eram mais janados que os alunos, que a única hipótese de ter boa educação é meter os putos em colégios privados onde dominam programas criacionistas e onde as aulas de História só ensinam a História do Texas – nem dos EUA quanto mais da Humanidade! Nevada aprendeu a ter um passado humano graças ao História do Universo, essa grandiosa BD de Larry Gonick. Foi lá que ele viu pela primeira vez que os humanos fodiam e procriavam ou que procriavam porque fodiam. Mesmo no baile do “prom” da escola, os casais ao dançar ao Slow de praxe, uma boa desculpa para se agarrarem e terem um período de sensualidade, ainda assim tinham de deixar espaço entre eles, o espaço de “um corpo” para Cristo estar entre vós – disse-lhe o Reitor. Era nos finais do século XX, pouco deve ter mudado…

Numa sociedade alienada como a americana, ele era das pessoas mais queridas e doces que tive o prazer de conhecer. Uma pessoa! Não um distribuidor de cartões de negócios como quase todos os outros gringos que conheci. Cá veio pra casa, perdeu-se numa ilha do Tejo – outra história incrível! – e na última noite em Lisboa, um bêbado vi-o e gritou-lhe: Paulinho! Estava mesmo a reconhecer-te! Ele não se desmanchou. Nem repudiou o velhote com copos a mais, tudo na boa!

Em tão pouco tempo que estivemos juntos, deu-me a conhecer o DJ Screw (que tanto inspirou Black Taiga) e os malucos dos irmãos Gonzalez que tanto giram pelo Jazz como pelo Grindcore.

Voltou alegre para Denton por ter conhecido a Lisboa e as suas gentes, tanto que quis representar a Chili Com Carne nas terras malditas do Novo Continente com o ciclo de exposições not Tex not Mex mas sobretudo o que ele queria era voltar cá um dia destes…

Good morning, Captain

Lisboa, 19 Fevereiro 2016

Marcos Farrajota

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