Feira Laica

Archive for Novembro, 2007|Monthly archive page

Feira Laica no Porto / Novembro e Dezembro 2007 / Maus Hábitos

In LAICA NATAL on Novembro 15, 2007 at 9:19 am

cartaz de Nuno Sousa

Numa jogada de enorme ousadia e desfaçatez, a pandilha laica deixou a protecção da capital e, a convite dos correligionários da Mula e dos Maus Hábitos, instalou-se na cidade do Porto durante os meses de Novembro e Dezembro.

cartaz de Nuno Sousa

As hostilidades iniciaram-se no dia 15 de Novembro, com a inauguração da exposição Se Cá Nevasse Fazia-se cá Ski, organizada pelo pessoal da Mula e que contou com a participação de Marco Mendes, Miguel Carneiro, José Feitor, André Lemos, João Maio Pinto, Nuno de Sousa, Carlos Pinheiro, Ana Torrie, Janus, Zé Cardoso, Mauro Cerqueira, Filipe Abranches, Rosa Baptista, Jucifer e Lucas Almeida. A noite foi abrilhantada por uma soberba actuação dos desenvoltos Lobster. A exposição em si mereceria mais tarde rasgadíssimos elogios da parte dos mais abalizados admiradores de arte contemporânea e ombreou, em número de visitas, com outros engodos culturais da cidade.

Seguiu-se, já em Dezembro (12 e 13) um workshop de serigrafia de acordo com o Método Directo na Faculdades de Belas Artes do Porto, ministrado pelo atelier Mike Goes West, que obteve um retumbante sucesso ao reduzir a impressão serigráfica ao seu grau mais elementar perante o olhar incrédulo dos participantes. Antecipando a Feira propriamente dita, já no dia 14 à noite, nos Maus Hábitos, a agremiação musical João Peludo deu o mote para os dois dias de festa que se seguiriam. A Feira ocupou praticamente todos os espaços disponíveis do fantástico espaço dos Maus Hábitos, com a sua habitual oferta de comércio cultural justo que combinou artesanato urbano, edição independente, livros e discos em segunda mão e muito mais. No salão principal, Daniel Pires e o seu projecto Pinoteca animaram a feira com uma labuta incessante de pins de todas as naturezas. No espaço junto à sala de concertos, a Imprensa Canalha e o atelier Mike Goes West assentaram arraiais para a primeira mão do projecto Derby, que decorreu paralelamente à feira. Vários ilustradores de Lisboa e do Porto desenharam directamente sobre quadros de serigrafia, a pincel, usando um bloqueador à base de água. Mais tarde, essas imagens serão impressas em serigrafia, dando origem a uma experiência editorial inédita: um volume inteiramente serigrafado de acordo com o método directo. A primeira noite da Feira foi dinamizada pela Fanfarra Recreativa e Improvisada Colher de Sopa, num concerto memorável.

De 15 e 16 de Dezembro quando aconteceu a Feira per se estiveram representadas as seguintes editores independentes: Associação Chili Com Carne (+ MMMNNNRRRG + El Pep + An Others Thinking), A Mula, Imprensa Canalha, Opuntia Books, atelier Mike Goes West, Soopa, Ástato, Marvellous Tone, zine O Hábito faz o monstro, Bor Land (+ De.Feito), Edições Mortas e Thisco. E houve as seguintes novidades editorais:
– 1929, de Thermidor (Brume + Thisco + CM de Almada)
– Antibothis, livro + CD (Chili Com Carne + Thisco);
Já não há maçãs no Paraíso, de Max Tilmann (MMMNNNRRRG);
– Phado, de M-PeX (Thisco + Fonoteca de Lisboa);
– serigrafias por método directo realizadas na Feira Laica na Bedeteca de Lisboa de Filipe Abranches, Miguel Carneiro, Alberto Corradi e José Feitor (Mike Goes West);
– Word Games – Shaken Not Stirred, de André Lemos (Opuntia Books)
 
 
Sobre a exposição: Todas as manhãs meteorologistas proverbiais aproveitam o horário nobre do seu tempo de antena para divulgar previsões rigorosamente calculadas: Céu pouco nublado ou limpo em todo território, probabilidade de formação de neblinas ou nevoeiros matinais… Dia sim, dia sim. O povo suspira e encolhe-se enquanto aquece as mãos numa chávena de café. Sai-se para a rua. Tarde de chuva, a Península inteira a chorar.Entretanto… Artistas e operários gráficos aproveitam a ressaca do verão de S. Martinho para fazer arrumações na casa. Caprichos domésticos raros de testemunhar aos quais adicionaram algumas gotas concentradas de êxtase colectivo. Desta conjugação invulgar de circunstâncias resultou uma exposição compartilhada do melhor e do pior que têm desenvolvido nas áreas das Artes Plásticas, Ilustração e Banda-Desenhada. Algumas migalhas do quotidiano e a mesma alarvidade boémia de meia tigela, travestida de discurso contestatário que vem fidelizando públicos de norte a sul de Portugal. Filhos de uma mãe com bom gosto, prometem invadir o espaço do Maus-Hábitos e abrir o livro para as crónicas do costume, as comichões de rotina e os bate-pé paraolímpicos que povoam a cultura subterrânea e fazem o gosto popular. – Texto de Miguel Carneiro
 

Este slideshow necessita de JavaScript.

Anúncios

La Feira Laica del Portogallo

In autores estrangeiros on Novembro 1, 2007 at 3:11 pm

Nel cattolicissimo Portogallo i giorni della settimana non hanno nomi, ma numeri, mentre il weekend è dedicato alla divinità: a spezzare questa consuetudine arrivano di tanto in tanto durante l’anno un paio di giornate del tutto… laiche. Così presso la Bedeteca de Lisboa, nella splendida cornice del Palácio do Contador-Mor nel quartiere di Olivais a Lisbona, s’è tenuta il 22 e 23 Giugno la settima edizione della Feira Laica, organizzata come sempre da José Feitor, Sandy Gageiro e Marcos Farrajota.

Piatto forte della manifestazione sono stati la mostra “Tropa Macaca” e il laboratorio di serigrafia gestito dalla Mike Goes West a cui hanno preso parte tutti gli artisti presenti alla Feira; la “tropa” era composta da autori affermati e giovani promesse quali José Feitor, Jucifer, João Maio Pinto, Pedro Zamith, Filipe Abranches, Edgar Raposo, Luís Henriques, Artur Varela, Joana Rosa Baptista, Christina Casnellie, Nuno Sousa, Zé, Miguel Carneiro, Ana Menezes, Joanna Latka, Sérgio Cova, Daniel Lopes, João Fazenda, Marco Mendes, Carlos Pinheiro, Mina Anguelova, Rui Vitorino Santos, Júlio Dolbeth, Bruno Borges e Joana Bragança. In appendice, un piccolo spazio è stato dedicato ai giovani dilettanti, con la mostra “Guerrilha Laica”.

La Feira è un buon pretesto per fare il punto della situazione sull’editoria indipendente portoghese e su alcuni dei suoi esponenti, raccoltisi in occasione della due giorni Laica.

La Bedeteca, attiva da undici anni, svolge un ruolo di primaria importanza per la scoperta del fumetto portoghese in madrepatria come all’estero, espletando una funzione non solo informativa, di documentazione e prestito libri (con uno spazio dedicato all’editoria internazionale di tutto riguardo), ma anche e soprattutto di promozione, pubblicando o coproducendo con la Câmara Municipal de Lisboa ed editori locali giovani e promettenti autori come nomi affermati del panorama nazionale e straniero: basti citare Dupuy & Berberian, il nostro Lorenzo Mattotti e Miguelanxo Prado. Oltre 120 i volumi dati alle stampe in particolare nell’arco degli ultimi intensissimi anni, tra cui testi fondamentali sulla storia del fumetto portoghese come A banda desenhada portuguesa / Le Portugal en bulles di João Paulo Paiva Boléo e Carlos Bandeiras Pinheiro, collaborazioni con le grandi e piccole realtà editoriali del paese come Edições Polvo, ĺman e Baleiazul, casa madre del bravo Miguel Rocha, o straniere come la belga Freon Éditions (ora Fremok).
La condizione della banda desenhada è sospesa tra nuvole parlanti e illustrazione, vera fonte di sostentamento di gran parte dei protagonisti della scena come André Lemos e João Maio Pinto. La Bedeteca mantiene un occhio di riguardo anche su questo fronte ed ha infatti realizzato alcuni annuari dell’Ilustracão Portuguesa, evidenziando talenti come Fazenda e Pedro Burgos.

Rosa Barreto, direttrice della Bedeteca e Marcos Farrajota spiegano come uno dei principali problemi sia attualmente la distribuzione: in seguito ad una sfavorevole congiuntura economica interna al mercato nazionale e alla scomparsa dei piccoli distributori la gestione è nelle mani di pochi che, quando disponibili, arrivano a pretendere fino al 60% del prezzo di copertina. In tal senso il mercato si è spostato principalmente sulla Rete, favorendo maggiormente l’autoproduzione, cosicché realtà quali la Opuntia Books fondata dal già citato André Lemos o le creazioni di El Pep alias Pepedelrey e di JCoelho, vivono di piccoli tirati appoggiandosi agli stampatori che talora si reinventano editori: come l’Imprensa Canalha, presente alla Feira con l’interessante novità Babinski, realizzato da José Feitor e Luís Henriques.
A beneficiare della grande distribuzione, gestita in gran parte dalla FNAC, sono in primo luogo gli editori più vicini al mainstream, come Asa Edições, che per quantità di titoli (non solo nell’ambito fumettistico), capitali e tipologia di proposte godono di questo circuito preferenziale.
Marcos Farrajota ricopre un ruolo importante all’interno della struttura perché egli stesso editore e autore della Associação Chili com Carne, quindi collegamento forte con l’editoria viva e indipendente del Portogallo, consapevole degli autori emergenti e dei segni da valorizzare ed egli stesso distributore attraverso il sito della CCC.

La familiarità del rapporto che lega i vari mondi dell’indipendenza portoghese presenti alla Feira, dai discografici della Thisco e Groovie Records a negozi alternativi come The Shoppe Bizarre, non va a scapito della qualità del prodotto. Si ha una netta percezione di grande partecipazione e comunanza di intenti, quel tipo di argomenti che possono fare la differenza e permettere di farsi largo in uno spazio apparentemente angusto.

Copyright: © 2007 Alberto Corradi; Scuola di Fumetto